Aqui procurarei depositar retalhos de Estórias e da História de Mossâmedes (Moçâmedes, actual Namibe), uns, resgatados às páginas de antigos livros e documentos retirados das prateleiras de alfarrabistas, ou rebuscados no interior de bibliotecas, reais e virtuais... e ainda outros, fundados em testemunhos de vivos e experiências vividas. Porque é nas estórias e na História, naquilo que de melhor ou pior aconteceu, que devemos, todos, portugueses e angolanos, europeus e africanos, buscar ensinamentos, para que, não repetindo os erros do passado, sejamos capazes de nos relançar e progredir no futuro, enquanto pessoas e cidadãos. Citando o Padre Ruela Pombo (*): "Os mortos guiam os vivos!... É verdade: sem freio nem chicote...O passado impõe-se ao presente, e garante o futuro.O homem egoísta é inimigo do verdadeiro Progresso e prejudicial à Sociedade. É esta a minha ...ilusão!"



(*) in
“Paulo Dias de Novais e a Fundação de Luanda – 350 anos depois...”, 2 de Dezembro de 1926 – Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa, Portugal












quarta-feira, 30 de maio de 2007

Componentes da 1ª colonia de portugueses de Pernambuco (Brasil) para Mossãmedes (Angola)





























 
Joaquim de Paiva Ferreira, componente da Primeira Colónia; foi proprietário de uma fazenda situada na várzea da Boa Esperança.O nome de Joaquim de Paiva Ferreira surge mencionado como vogal de uma comissão formada em Mossãmedes para a formação da Escola Luz Africana, por iniciativa da Loja Luz Africana, de raiz maçónica, inaugurada em Janeiro de 1882. São referidos também outros nomes sonantes também a esta iniciativa e a esta Escola, tais como o do presidente da referida comissão, Francisco José de Almeida, e o do professor do novo estabelecimento de ensino, Francisco Rodrigues Pinto da Rocha Júnior (*). À cerimónia da sua abertura e inauguração teria assistido grande número de pessoas. Mossãmedes , segundo se aalientava, «era a povoação de Angola que mais se tinha interessado, até então, pelo desenvolvimento da escolaridade, embora os resultados obtidos não satisfizessem inteiramente a boa vontade das pessoas que para tal se não poupavam a esforço.»...«Matricularam-se vinte e oito alunos, mas em Junho estavam já a frequentá-la trinta e uma crianças. »
In CULTURA, EDUCAÇÃO E ENSINO EM ANGOLA: 12. APTIDÃO PEDAGÓGICA


2ª foto: José Rodrigues Pires da Maia, componente da Primeira Colónia; foi proprietário de uma fazenda na Várzea da Boa Esperança. Nasceu em 28 de Julho de 1825 e faleceu a 2 de Janeiro de de 1888. Natural do Concelho da Maia,
























António Moreira da Silva e Sousa. componente da 1ª colonia; foi proprietário de uma Fazenda situada na Várzea da Boavista.

Fotos do livro: «O Distrito de Moçâmedes» da autoria do Dr. Manuel Júlio de Mendonça Torres.
(*) ver também AQUI
..............
PRIMEIRA COLÓNIA -------------------

-- COMPONENTES DO PRIMEIRO NÚCLEO DE EMIGRANTES DE PERNAMBUCO (PORTUGUESES)CHEGADOS A MOÇAMEDES NA BARCA "TENTATIVA FELIZ" EM 4 DE AGOSTO DE 1849. MUITOS DELES SEGUIRAM DEPOIS PARA A BIBALA, CAPANGOMBE, HUMPATA E HUÍLA : ...........................

--- ADELINO DUARTE DA NAZARETH - ALBERTO DA FONSECA ABREU E CASTRO - AMÉLIA PEREIRA TAVARES - ANA ANTUNES DE BARROS - ANA GUILHERMINA CAVALCANTI - ANA JOAQUINA DOS PRAZERES - ANA LUÍSA DE CASTRO ROCHA - ANA RITA DOS SANTOS (e filha MARIA) - ANTÓNIO AROUCA - ANTÓNIO COELHO DA MOTA - ANTÓNIO DA COSTA CAMPOS - ANTÓNIO COUTINHO - ANTÓNIO COUTINHO DE AZEVEDO - ANTÓNIO FERREIRA MENESES JÚNIOR - ANTÓNIO JOAQUIM DE ABREU AFONSO - ANTÓNIO JOAQUIM DE ABREU CARDOSO - ANTÓNIO JOAQUIM RODRIGUES - ANTÓNIO JOAQUIM DE SOUSA ARAÚJO - ANTÓNIO JOSÉ ALVES - ANTÓNIO JOSÉ PEREIRA DIAS GUIMARÃES - ANTÓNIO JOSÉ DOS SANTOS BRAGA - ANTÓNIO LOPES DA ROSA - ANTÓNIO MARTINS PEREIRA - ANTÓNIO MOREIRA DA SILVA E SOUSA - ANTÓNIO PEREIRA DA FONSECA (e seus filhos : ANTÓNIO e JOÃO) - ANTÓNIO PEREIRA DO NASCIMENTO - ANTÓNIO PINTO DE QUEIRÓS - ANTÓNIO ROMANO FRANCO (casado com JOANA RAQUEL DA SILVA) - ANTÓNIO DA SILVA TORRES - ANTÓNIO VASQUES (e sua filha JOSEFA) - ANTÓNIO VIEIRA COELHO - AUGUSTO CÉSAR DE ABREU MAGALHÃES - AUGUSTO LEBREMANN (casado com HELENA MARIA DA CONCEIÇÃO) - BALBINA GENEROSA DA CONCEIÇÃO - BÁRTOLO JOSÉ PEREIRA - BENTO DA PAIXÃO VASQUES - BENTO RESENDE PEREIRA - BERNARDINO ANTÓNIO RESENDE - BERNARDINO DA COSTA E SOUSA - BERNARDINO FRANCO PONTES - BERNARDINO FREIRE DE FIGUEIREDO DE ABREU E CASTRO - BERNARDINO JOSÉ BESSA - BERNARDINO JOSÉ DA SILVA - BERNARDINO VIEIRA DOS SANTOS BRAGA - CAETANO DE PAIVA FERREIRA - CLARA MARIA DO ROSÁRIO - DOMINGOS JOSÉ BRAGA - DOMINGOS LUÍS FERREIRA - ELISA DO ROSÁRIO PEREIRA - FILIPA JOAQUINA MARTINS DE LIMA - FIRMINO DE ALCÂNTARA GUIMARÃES - FRANCISCA LÚCIA DOS PRAZERES - FRANCISCA ROSA - FRANCISCO ANTÓNIO DE BRITO - FRANCISCO CECÍLIA - FRANCISCO DOMINGUES DOS SANTOS - FRANCISCO INÁCIO - FRANCISCO JOSÉ PEREIRA - FRANCISCO JOSÉ PINTO DE OLIVEIRA - FRANCISCO JOSÉ RODRIGUES DE CASTRO - FRANCISCO JOSÉ DA SILVA LOPES - FRANCISCO LEAL - FRANCISCO DE MAIA BARRETO - FRANCISCO PINTO FRANCO ROCHA - FRANCISCO RICARDO DA SILVA - FRANCISCO ROMANO MONIZ - FRANCISCO ROSA - FRANCISCO DA SILVA - FRANCISCO TAVARES - FRANCISCO TAVARES DA SILVA - GOTTLIEB HENRY (casado com JACINTA FLORA) - HELIODORO RIBEIRO DA FONSECA - HORTÊNSIA RAQUEL DA SILVA - INÁCIA UMBELINA DO ESPÍRITO SANTO - INÁCIO BRAZ DE OLIVEIRA (casado com GERTRUDES MARIA DA SILVA) - INÁCIO VASQUES - ISABEL DE ÁUSTRIA DE SOUSA PRADO - JOANA MARIA DA FONSECA - JOANA MARIA DO LIVRAMENTO - JOÃO BAPTISTA DE PASSOS - JOÃO BESSA - JOÃO FERNANDES MOREIRA - JOÃO FRANCISCO RIBEIRO - JOÃO LEITE DA COSTA BASTOS - JOÃO MARIA DA SILVA - JOÃO RODRIGUES COELHO - JOÃO SOARES BOTELHO - JOÃO VASQUES LUÍS - JOAQUIM DE ANDRADE PESSOA PIMENTEL - JOAQUIM ANTÓNIO DIAS DE CASTRO - JOAQUIM JOSÉ FERREIRA - JOAQUIM JOSÉ DA ROCHA - JOAQUIM DE PAIVA FERREIRA - JOAQUIM DA SILVA CONCEIÇÃO - JOAQUIM DA SILVA COSTA FRADELOS - JOSÉ DE ALMEIDA MONIZ (casado com JOAQUINA ROSA DE JESUS e filhas MARIA e FRANCISCA) - JOSÉ ANTÓNIO BRANCO - JOSÉ DA COSTA - JOSÉ DA COSTA GUIMARÃES - JOSÉ DO ESPÍRITO SANTO BRAGA - JOSÉ FERNANDES GUIMARÃES - JOSÉ FRANCISCO MOREIRA - JOSÉ GONÇALVES DA SILVA SOARES - JOSÉ JACINTO (casado com MARIA TEREZA JACINTO) - JOSÉ JACINTO DE MEDEIROS - JOSÉ JOAQUIM BENEVIDES - JOSÉ JOAQUIM DE MACEDO - JOSÉ JOAQUIM DE PINHO - JOSÉ JOAQUIM RODRIGUES DE CASTRO (casado com TERESA MARIA DOS PASSOS DE JESUS) - JOSÉ JOAQUIM DA SILVA PEREIRA (casado com TERESA DE JESUS) - JOSÉ LEITE DE ALBUQUERQUE - JOSÉ LEITE DA COSTA - JOSÉ MARIA BARBOSA (casado com MARIA ROSA DA CONCEIÇÃO) - JOSÉ MARTINS FERREIRA - JOSÉ MARTINS DA SILVA - JOSÉ DE MELO DA SILVA PIMENTEL - JOSÉ DE OLIVEIRA - JOSÉ PEDRO DE ALCÂNTARA - JOSÉ PEDRO LEITE - JOSÉ PEREIRA BASTOS - JOSÉ PINTO FRANCO ROCHA - JOSÉ RODRIGUES PIRES DA MAIA - JOSÉ DA SILVA MONIZ - JOSÉ DA SILVA NOGUEIRA - JOSÉ DE SOUSA - JOSÉ TRILHO FONTES - JÚLIO DA GRAÇA BASTOS - MANUEL DUARTE - MANUEL GONÇALVES BOUCINHO - MANUEL GONÇALVES FERREIRA LIMA (casado com MARIA DA CONCEIÇÃO LIMA) - MANUEL JOAQUIM DE ABREU - MANUEL JOAQUIM DA FONSECA - MANUEL JOSÉ ALVES BASTOS - MANUEL JOSÉ FERNANDES - MANUEL LUIS DE ALMEIDA - MANUEL PINTO DUARTE - MANUEL DO REGO CORREIA BARROS - MANUEL DA SILVA TAVARES - MANUEL VASQUES DA CRUZ - MANUEL VICENTE PEREIRA LAMEGO - MARIA CÂNDIDA DE AZEVEDO - MARIA CAROLINA DA CONCEIÇÃO - MARIA JOAQUINA PEREIRA DE BASTOS - MARIA MADALENA DE PAULA - MARIA DO ROSÁRIO ROCHA - MARTINHO DA SILVA PEREIRA - MINERVINA DE CASTRO FRANCO ROCHA - NARCISO FRANCISCO DE SOUSA - RITA MARIA DE JESUS - RODRIGO BARBOSA LEAL - SERAFIM BAPTISTA DA SILVA BASTOS .

José Lúcio Travassos Valdez deportado político para Mossâmedes, Moçâmedes (Namibe), Angola

Ficheiro:GP Conde de pd-bonfim.jpg
José Lúcio Travassos Valdez (1787-1862).


A deportação foi nos séculos XIX e XX uma poderosa arma ao serviço dos regimes políticos. Em todo o mundo foi evidente a utilização desta forma de migração forçada como meio para impedir a acção dos opositores políticos. A prática não é recente sendo uma constante do processo histórico desde a Grécia e a Roma antiga, e poderá ser assinalada a partir de 1797 com a ida dos opositores da Revolução Francesa para a Guiana, prática que os franceses mantiveram a partir de 1852 com as chamadas ilhas presídio, como foi o caso das ilhas do Diabo, Caiena, e de Saint-Laurent-du-Maroni. A deportação esteve pois ligado aos colonialismos.

Em Portugal a conjuntura politica oitocentista post-revolução liberal provocou migrações forçadas por força de perseguições políticas para as ilhas da Madeira, Açores, Cabo Verde e Angola, que serviram de espaços de deportação de alguns políticos e militares menos gratos aos diversos regimes políticos ou grupos com controlo do poder.

Após a independência do Brasil, em 1822, Angola tornou-se o principal destino para os condenados pelas leis lusitanas, tendo chegado a receber centenas deles anualmente. O periodo das mudanças por que passou todo o continente africano nos finais do século XIX foi marcado pelo aumento da presença europeia e a conversão económica a partir da abolição do tráfico de escravos. Em 1864, os degredados somavam praticamente um terço da população de Angola.

Os degredados não foram passivos, eles actuaram no território angolano, na politica imperial portuguesa e na História de Angola. Foram usados -grupo marginal- no contexto de transformação com o impulso crescente colonial. Foram importantes instrumentos como povoadores e tomaram parte no processo de embate e diálogo cultural intensificado na segunda metade do século XIX.

Para milhares de degredados a segunda metade do século XIX, Angola foi um lugar de castigo. As sentensas que lhes orientavam para aquela região baseavam-se na tese de que não havia pena mais severa do que forçar a moradia nos espaços conflituosos e incertos da nova «joia da corôa» após a independência do Brasil.

                                                                       **********

José Lúcio Travassos Valdez 

Em sua juventude, o futuro Conde do Bonfim estudou  Direito na Universidade de Coimbra e participou a partir de 1808 da revolta portuguesa contra a ocupação napoleónica da sua terra. Ele serviu como voluntário sob o comando de Gomes Freire de Andrade e participou das batalhas da Roliça (17 de Agosto de 1808) e de Vimeiro (21 de  Sgosto de 1808) contra os franceses.  Até ao fim da Guerra Peninsular entrou em muitas batalhas, dando sempre provas de grande energia e coragem. Mesmo depois da expulsão dos franceses, Bonfim permaneceu no Exército português. Em Junho de 1821 foi promovido a coronel  e em 1823, quando em Trás-os-Montes se deu o levante absolutista, promovida pelo conde de Amarante, foi nomeado comandante da divisão ligeira, perseguiu os revoltosos, e entrou na Espanha chegando até Astorga, León e Gradefes. Voltando para Portugal foi dirigir uma coluna de operações na Beira, sendo escolhido para marchar à frente das forças destinadas a opor-se à insurreição de Vilafrancada liderada pelo infante D. Miguel  nos últimos dias de Maio de 1823. Tendo D. João IV  aderido ao movimento iniciado por seu filho, foi dissolvida a coluna do coronel Valdez, e este intimado a residir em Mora, de onde conseguiu, com o auxílio de alguns dos seus amigos e antigos companheiros de armas, ser transferido para Setúbal. Só depois de promulgada a Carta Constitucional de 1826, sendo ministro da guerra o general Saldanha, é que ao coronel Valdez se deu novamente o comando de um regimento. Mandado com o seu regimento e outras forças combater o movimento absolutista que aparecera em Bragança, e tendo sido obrigado pelos revoltosos, depois de duro combate, a recolher-se ao castelo da vila, viu-se forçado a capitular no dia 26 de Novembro de 1826, e foi conduzido para Miranda e depois para Moncorvo.Sabendo que existia ali um depósito de armas, tratou com os seus companheiros de se apoderar delas e tentar cruzar o rio Douro a fim de juntar-se às tropas fieis à Carta, sendo porém acossado pelas numerosas guerrilhas que então infestavam a província deTrás-os-Montes teve de atravessar a fronteira, e as autoridades espanholas  o mandaram para Salamanca e depois para Valladolid. Passado alguns dias retornou ele a Portugal, chegando a Lisboa pediu um conselho de guerra para se justificar da capitulação de Bragança, e sendo-lhe a sentença não só favorável mas até honrosa, Valdez foi pouco depois nomeado, em 7 de Abril  de 1827, governador e capitão-general da Madeira e Porto Santo. Dedicou-se então aos melhoramentos materiais e agrícolas daquelas ilhas, e nestes trabalhos ficou sabendo dos motins ocorridos em Lisboa e dos projetos do infante D. Miguel, de se apoderar da regência do reino, declarando-se rei absoluto. Valdez havia fundado um jornal,   "A flôr do Oceano", e no dia 22 de Junho publicou um manifesto protestando contra aqueles projetos, cuidando imediatamente de se prevenir para a defesa da ilha, se acaso D. Miguel a mandasse atacar pela sua esquadra, e comunicou o ocorrido ao duque de Bragança, aos ministros de Portugal e Brasil, em Londres, bem como ao embaixador desta última potência em Viena de Austria.  Pouco depois destes acontecimentos chegou à Madeira o novo capitão-general nomeado por D. Miguel, mas não tendo podido desembarcar regressou a Lisboa. Ao mesmo tempo saíram deste porto uma corveta e dois navios  de guerra para bloquearem a ilha, e por fim o capitão-general Valdez recebeu no dia 16 de Agosto  de 1828 uma intimação para se render ao comandante de uma esquadra, composta de uma nau, duas fragatas, duas corvetas, dois brigues e duas charruas. Valdez não desanimou, apesar de ver a grande força dos inimigos, tendo estes, porém, conseguido apoderar-se do porto de Machico reconheceu a impossibilidade da resistência, e entrou em acordo com o vice-almirante por intermédio do cônsul inglês residente na ilha. Partiu então para Inglaterra com sua mulher e filhos, e ali esteve lutando com inúmeras dificuldades, chegando a passar privações, até 1832,  em que partiu para a ilha Terceira no arquipélado dos Açores, e apenas desembarcou em Angra do Heroismo, foi-lhe dado o comando da 1.ª companhia do batalhão sagrado, batalhão só composto de oficiais, e com ele fez a guarda avançada do exército libertador quando marchou do Mindelo para o Porto (Desembarque do Mindelo) ; mas depois, foi mandado pelo imperador para o quartel general do duque da Terceira, para que este o informasse dos movimentos do inimigo, sendo em 21 de Julho de 1832, escolhido para ajudante general. Em 6 de Agosto seguinte foi promovido a brigadeiro, continuando como ajudante do duque da Terceira, até que e D. Pedro IV assumiu o comando-em-chefe, passando nessa ocasião Travassos Valdez a servir de chefe do estado-maior. Quando o imperador saiu do Porto ficou ali o brigadeiro Valdez como chefe do estado-maior de Saldanha, e no combate de 18 de Agosto de 1833  comandou a ala esquerda, e a 20 de Agosto seguiu para a capital com o regimento de infantaria a bordo da fragata "D. Maria II". Tomou parte na defesa das linhas de Lisboa, ficando gravemente ferido no ataque de 5 de Setembro o que o obrigou a afastar-se do serviço por muito tempo; acompanhando porém já D. Pedro para Santarém nos princípios de 1834, e regressando depois com ele a Lisboa, quando em seguida a batalha de Asseiceira se formaram dois exércitos de operações sob o comando dos generais duque da Terceira e Saldanha.
Quando da morte de D. Pedro IV e a dissolução do  estado-maior imperial, o brigadeiro Valdez ficou desempregado até que eclodiu a revolução de 9 de Setembro de 1836,  em que se proclamou uma nova constituição. No dia 16 do referido mês foi nomeado membro do Supremo Conselho de Justiça Militar. Em outubro teve o comando do exétciro do sul , que se formou para evitar a invasão dos cartistas e em 14 de Dezembro  seguinte foi nomeado comandante da 7.ª divisão militar, continuando naquela comissão. Eleito deputado no congresso constituinte de 1837  pelo distrito de Leiria, quando surgiu a tentativa cartista da Ponte da Barca, foi Travassos Valdez, já, então agraciado com o título de Barão do Bonfim, encarregado do comando em chefe das forças do sul do reino, recebendo plenos poderes sobre todas as autoridades civis e militares. Apaziguado o Alentejo, o Barão do Bonfim juntou-se a Sá da Bandeira, e em 28 de Agosto de 1837  deu aos marechais a ação do Chão da Feira, seguindo depois para Almeida  e para o Douro para conversar com o conde de Antas  que voltava da Espanha e logo a seguir terminava a revolta cartista  ganhando a ação de Ruivães. Regressando à capital, foi nomeado ministro da marinha e interino da guerra em 9 de Novembro de 1837 , conservando-se no ministério até 9 de Março de 1838, voltando a encarregar-se da pasta da guerra desde 20 de Abril até 18 de Abril de 1839 . Foi deputado nas legislaturas de 1839 e de 1840, sendo eleito por vários círculos do continente do reino, e em 1839 pelo de Goa. Em 26 de Novembro de 1840  entrou novamente no ministério, com o encargo da presidência do gabinete e as pastas da guerra, e interino da marinha e estrangeiros. Apresentou então às câmaras importantes e notáveis relatórios, tomou medidas enérgicas quando em fins de 1840 estiveram para se romper as boas relações de Portugal com a Espanha, dirigiu as negociações para o reconhecimento do governo português pela Santa Sé e pelos Países Baixos, fundou o presídio que depois se transformou na vila de Moçâmedes, e finalmente em 9 de Julho de 1841, querendo sustentar a instituição dos batalhões nacionais e encontrando resistência, pediu a exoneração em 9 de Junho de 1841, sendo substituído pelo ministério presidido por Joaquim António de Aguiar.

Em 1842 combateu sempre na câmara alta o governo de Costa Cabral, depois marquês de Tomar, até que decidida a revolta pela oposição, partiu para o Alentejo. O conde do Bonfim, título com que fora agraciado em 1838, pôs-se à frente do movimento iniciado pelo regimento de cavalaria em Torres Novas no dia 4 de Fevereiro de 1844, e com esse corpo, infantaria  e caçadores marchou sobre a Guarda. Malogradas ainda outras combinações, seguiu para Almeida e ali sustentou o cerco, emigrando depois para Espanha, França e Inglaterra. Voltou a Lisboa em 9 de Junho de 1846, vindo da Inglaterra a bordo do vapor "Mindelo", sendo em 29 de Junho  nomeado comandante da guarda nacional, e em 22 de Agosto, comandante da 1.ª divisão militar, lugar de que foi exonerado em consequência do golpe de Estado de 6 de Outubro. Partindo para Évora foi pela junta, formada nessa cidade, nomeado comandante em chefe das forças do sul e logo depois presidente da mesma junta. Na batalha de Torres Vedras em 22 de Dezembro de 1846  foi prisioneiro, sendo conduzido a Lisboa, de onde passou a bordo de diferentes navios do Estado, e por último para o brigue "Audaz", que saiu da barra em 2 de Fevereiro de 1847 com destino a Angola.
Chegando a Luanda em 25 de Março, os presos políticos foram levados para diversas prisões, mas o conde do Bonfim e dois filhos que o acompanhavam, Luís e José, ficaram a bordo da corveta "Relâmpago". Receando-se alguma revolta, a corveta levantou âncora e seguiu para Moçâmedes, onde chegou em 6 de Maio. No dia 20 deste mês começou em Moçamedes uma revolução a favor da Junta do Porto, o conde saiu no dia seguinte, com os dois filhos, para Santa Helena, a bordo de uma velha escuna, que foi abordada por um brigue de guerra inglês que nessa ocasião entrava no porto de Moçamedes, levando-a para Luanda, apresentando ao governador o conde do Bonfim e seus filhos. Desse modo, o conde foi novamente encarcerado na corveta "Relâmpago", seu filho Luís em outro navio, e José mandado para Benguela, ficando nesta situação até 23 de Agosto, data em que chegou a Luanda a fragata "Terrible", que em consequência da convenção que pusera termo à guerra civil, trouxe os deportados para Portugal, onde chegaram em 9 de Outubro. Depois de ter estado em comissão até Dezembro de 1852, foi nomeado membro do conselho de justiça militar, cargo que desempenhou até falecer.

In Wikipédia

Segue um texto retirado do Livro: "O Conde do Bomfim: noticia dos seus principaes feitos"


"...Conduzido sob prisão para Belem, com os seus officiaes, onde chegou na tarde de 25 de Dezembro, foram mandados embarcar a bordo da fragata Diana, de onde foram transferidos para a fragata Rainha, sob grande vigilancia e rigor não lhes sendo permitido falarem com as suas familias quando para isso obtinham licença só o faziam na presença de um empregado do governo civil. O Conde do Bomfim reconhecido como um homem generoso e igual para todos os partidos, propondo amnistias á Rainha, e dando empregos e honras aos seus proprios inimigos e vencidos!
Mas, como se isto ainda não fosse bastante, o conde do Bomfim e seus dons filhos mais velhos, bem como o general Celestino Soares, o conde de Villa Real, D. Fernando, o coronel Forman, o patriota Jaime (commandante do batalhão de Vizeii), o tenente coronel Alves (hoje marechal de campo reformado), e mais vinte e tantos  oficiaes, foram mandados durante a noite de 27 de janeiro de 1847 passar para bordo do brigue de guerra « Audaz, » sem se lhes dizer qual era o (im desta transferencia, e conservados assim no maior aperto, sem se lhes proporcionarem quaesquer comímodidades, e para não estarem sujeitos só á ração do porão apenas se lhes permittia que recebessem a comida que as suas familias e amigos lhes mandavam de terra.
Neste estado de incerteza do seu destino havendo-se espalhado que iam para Angola, o nobre marquez do Fayal (hoje duque de Palmella), filho do illustre e generoso duque do mesmo titulo, herdeiro das suas virtudes, foi elle mesmo a bordo certificar-se do que precisavam aquellas illustres victimas do patriotismo, e logo que obteve a indispensavel licença, mandou-lhes para bordo um rico e abundante rancho, appropriado a pessoas da classe da sociedade a que pertenciam, para que não fossem só sujeitos ás rações de bordo, embora houvesse toda a idéa (como depois se verificou), que o benefico e generoso capitão tenente Victorino Rodovalho, e depois o capitão tenente Antonio Sergio de Sousa (hoje ajudande de ordens do senhor infante D. Luiz), que commandaram o brigue Audaz, e os seus offlciaes fariam quanto estivesse ao seu alcance para mitigar a sorte e soffrimentos d'aquelles que contra todas as leis, sem sentença, e contra todos os uzos, eram assim degradados para tão mortifero clima, apesar de haverem capitulado com as honras da guerra, saindo o navio para Angola no dia 2 de fevereiro de 1847.

Chegaram a Loanda em 25 de março, e foram successivamente mandados para prisões em terra todos os companheiros do conde do Bomfim, excepto elle que foi mudado para a corveta Relampago, e seu filho segundo o capitão (hoje major) Luiz Travassos Valdez, tão conhecido pelos seus interessantes Almanachs, e outros importantes escriptos; sendo mandado o seu filho primogenito o major José Bento Travassos Valdez (hoje conde do Bomfim, José), com o major (hoje coronel e commandante militar da Ilha da Madeira), José Herculano Ferreira de Horta para a mortifera cidade de Benguella.

Depois disto havendo-se excitado extraordinariamente os animos na tropa e habitantes de Loanda a favor dos prezos politicos, a ponto de se recear que houvesse uma revolta para os libertar, tal era a opinião publica em toda a parte a faVor do conde do Bomfim e da causa que elle defendia, foi a corveta Relampago mandada sair repentinamente, e passando por Benguella tomou a seu bordo o filho primogenito do conde do Bomfim, desembarcando-os e ao filho segundo em Mossamedes no dia 6 de maio; — mas infelizmente para os que os opprimiam tão injustamente, esqueceram que a opinião publica, a que queriam fugir, era a mesma em toda a parte—ainda mesmo n'aquellas areias Africanas—e o que é mais, inconsideradamente não reflectiram ao menos, que nem todos são ingratos neste mundo l e cahiram em deportar o conde do Bomfim e seus dous filhos mais velhos justamente para Mossamedes, cuja povoação via nelle o seu fundador, como dissémos que o foi, quando ministro da marinha e ultramar em julho de 1840.

Em 20 de maio de 1847 teve logar uma revolução em Mossâmedes a favor do conde do Bomfim e da Junta do Porto, cujo governo foi immediatamente proclamado. 

mas, como a força que alli existia fosse mui diminuta para resistir à qualquer ataque dos navios do cruzeiro portuguez naquelles mares, e todos desejassem vir ajudar em Portugal a causa que defendiam, trataram desde logo de se aprovisionar, preparar e embarcar em uma velha escuna de guerra de que tinham tomado posse apenas haviam feito a revolução, na intenção de partirem no dia seguinte para a ilha de Santa Helena, apesar do mau estado da embarcação e do grande risco de serem encontrados pelos navios do cruzeiro portuguez. Mas, entrando nesse dia na bahia de Mossamedes o brigue de guerra inglez Flying Fisli, coramandado pelo capitão Dike, aconteceu, que, contra toda a expectativa este official apresou no dia 2i a escuna de guerra Conselho, em que o conde do Bomfim e seus companheiros estavam já a fazer-se de véla, o que era tanto mais inexperado que ainda na vespera o capitão Dike, perguntando-se-lhe se te-' ria duvida em receber a bordo alguns dos c'ompromettidos, ou emfim lhes dar alguem da sua guarnição para dirigir a navegação da escuna portugueza até á ilha de Santa Helena, visto que os officiaes da escuna não abraçaram a revolução a favor da Junta do Porto; mostrou-se disposto ao pedido que se lhe fez. Sendo certo que é do direito das gentes, ou uso e costume, não se negar os soccorros indispensaveis para a navegação e salvação das vidas quando quaesquer navios, que se encontram, os requerem, o que sabemos o conde do Bomfim fez ver ao capitão Dike, e que as esquadras britannicas não interferiam então na guerra civil de Portugal, tratando com a mesma egualdade os navios do governo e da Junta do Porto, que aliás todos uzavam da mesma bandeira da nação e reconheciam a rainha. Devemos notar, que além d'isso, o conde do Bomfim lembrou ao capitão Dike, que a generosa e hospitaleira nação britannica jamais deixou de se prestar, com grande gloria do seu pavilhão, a dar abrigo ao infortúnio em casos politicos, do que lhe apresentou exemplos bem publicos, taes foram: que o capitão Canning da corveta Aligator o recebeu a elle mesmo conde do Bomfim a seu bordo, e a sessenta e tantos refugiados para os salvar da furia de seus inimigos, e isto no meio de uma esquadra que fazia violentas reclamações nas aguas da ilha da Madeira em 1828, quando o conde do Bomfim se acolhera áquella bandeira por estarem acabados todos os meios de defeza da ilha em nome da Rainha e da Carta Constitucional, como o narramos. Que outro tanto aconteceu em Hespanha em 1842 quando uma nau ingleza salvou em Cadix a Espartero, duque da Victoria e o levou para Inglaterra quando aquelle illustre general foi derribado da regencia de Hespanha em consequencia de uma revolução geral naquelle reino. Que por occasião de uma revolução em Galiza em 1846 havendo-se o brigue de guerra hespanhol Nervion declarado por ella, e vendo depois, que havia sido suffocada, dirigiu-se para Gibraltar, e apesar das reclamações do governo de Madrid, o governador de Gibraltar entregou o brigue, mas conservou, como refugiados, o commandante e mais pessoas que nelle iam entregandolhes as suas bagagens. Que em summa, não ha exemplo de Inglaterra haver negado protecção ou entregado refugiado algum, que por motivos politicos estivesse ao abrigo da sua bandeira.

Apesar das energicas "reclamações e protestos do conde do Bomfim, ao capitão Dike em nome do paiz, no seu proprio, assim como no dos seus companheiros de infortunio, victimas da prepotencia daquelle commandante de um navio de guerra britannico, que não só manchou a gloriosa bandeira da sua nação, mas tambem indignou a briosa corporação a que pertencia, levando o conde do Bomfim e seus companheiros para Loanda a bordo do brigue do seu commando, havendo-os obrigado a passar para o seu navio só com o fato que tinham no corpo, sem lhes consentir que levassem cousa alguma das suas bagagens e do que tinham a bordo da escuna Conselho, que o capitão Dike fizera occupar pela guarnição que lhe approuve, ficando a bordo da dita escuna, como sabemos, alem das bagagens e de um rico e abundante rancho com que se haviam preparado para seguirem viagem para a ilha de Santa Helena, uma consideravel somma de dinheiro que o conde do Bomfim já antes da sua sabida de Portugal, á custa de muitos sacrifícios seus, de sua familia e amigos, bem como depois alguns negociantes em Angola haviam reunido de antemão .para se habilitarem assim a fazer face ás despezas que se tornassem indispensaveis para poderem salvar-se d'Afrioa: — donde com effeito se teriam salvo a não ter sido aquelle inqualificavel e atroz procedimento do capitão de um navio de guerra inglez, — procedimento em fim que, segundo somos informados, acabou de completar a ruina dá fortuna do conde do Bomfim, sua familia, e outras daquellas victimas do referido attentado, pois que, chegados a Loanda no dia ,30 de maio, só com o fato que tinham no corpo, foram de novo entregues ao governador geral de Angola, o qual mandou o conde do Bomfim outra vez para bordo da corveta Relampago, seu filho segundo para outro navio, e o filho primogenito novamente para a mortifera cidade de Benguella; e tendo acabado de ancorar no porto de Loanda a escuna Conselho, a bordo da qual dissemos tinha ficado tudo que lhes pertencia, o conde do Bomfim reclamou immediatamente a sua bagagem, mas unicamente lhe foi entregue a Cama e as suas mallas arrombadas com alguma roupa dentro, Perdendo-se Tudo o Mais. 

Depois de mil difficuldades, o conde do Bomfim, que ficou incommunicavel, pode fazer chegai' ao conhecimento do honrado almirante Sir Charles Hotham, commandante em chefe da marinha britannica naquejles mares, um detalhado relatório a respeito do atroz procedimento do para sempre famoso capitão Dike, pedindo-lhe que se interessasse com o seu governo a favor de victimas entregues á discrição dos seus inimigos politicos, depois de haverem estado (bem que muito contra sua vontade!) debaixo da bandeira britannica. O brioso almirante inglez, apenas recebeu aquella notír cia na ilha de Santa Helena, mandou a Loanda a fragata Acteon, do commando do distincto capitão Mansel, para communicar ao governador geral de Angola e ao conde do Bomlim, que tinha já mandado prezo para Inglaterra o capitão Dike para responder pelos seus procedimentos; e para outro-sim fazer constar ao governador geral de Angola e ao conde do Bomfim, que elle almirante intendia que o conde do Bomfim e seus companheiros tinham direito á protecção da bandeira britannica, e que embora não reolamasse desde logo a sua entrega, esperava ordens nesse sentido, e portanto contava tambem que o governador geral de Angola se absteria de tomar qualquer medida que pudesse ser contraria ao bem-estar ou á consideração devida ao conde do Bomfim e seus companheiros.

Emfim, estamos informados de que o cavalheirismo, generosidade e philantropia daquelle distincto almirante chegou a tal ponto, que mandou offerecer ao conde do Bomfim pelo capitão Mansel, o seu dinheiro e quaesquer objectos que precisasse, juntando o referido capitão honrada e briosamente analogos offerecimentos da sua parte até onde elle pudesse: ao que o conde do Bomfim agradecendo cheio de reconhecimento, sabemos que respondeu com a nobreza e independencia que lhe é natural, que acceitava a offerta da sua protecção em que muito confiava, mas que não podia acceitar as outras suas offertas, que aliás agradecia tanto como se acceitasse, porque seria offender a generosidade com que os principaes habitantes de Loanda — especialmente o seu generoso amigo Francisco Barbosa Rodrigues, presidente da camara municipal — lhe proporcionava tudo que necessitava, e a seus dois filhos mais velhos; alem de que, tanto o benemerito commandante da estação naval portugue/a, o capitão de mar e guerra Cardoso (actual inspector do Arsenal da Marinha de Lisboa), como o capitão de fragata João de Rodovalho, commandante da corveta Relampago, e bem assim o capitão tenente Escrivanis, que succedeu ao capitão de fragata João de Rodovalho no commando da corveta Relampago, e o capi'tão tenente Freire, commandante da charrua Príncipe Real, e em geral toda a officialidade da marinha portugueza que se achava naquella estação naval, faziam tudo que estava ao seu alcance para lhes suavisar a penosa situação em que se achavam, mostrando-lhes a sua sympathia.

Aproveitando pois o conde do Bomfim a promettida protecção, pediu que seus dois filhos mais velhos fossem mandados para ao pé de si, e que os seus outros companheiros, que estavam presos no porão da Charrua a bordo da qual o conde do Bomfim estava preso e incommunicavel, gosassem ao menos de tanta liberdade como a que elle tinha, pois que se elles eram criminosos por se terem querido libertar, elle conde do Bomfim era o principal. Reclamou outro-sim que a -respeito dos prisioneiros que se achavam em differentes pontos houvesse com elles ao menos analogas medidas, especialmente a respeito daquelles que o governador geral de Angola tinha mandado deportar para o sertão.

Com effeito o capitão Mansel foi immediatamente reclamar do governador geral de Angola no referido sentido, e effectivamente foram dadas as ordens exigidas em nome do almirante britannico.Que reclamações violentas e pesadas indemnisações não pagariamos nós á Inglaterra (sempre prompta a exigirnol-as), se mutatis mutandis, estes procedimentos tivessem sido feitos por um official da marinha Portugueza a quaesquer subditos inglezes por insignificante que fosse a sua posição na sociedade!
A fragata Acteon conservou-se fundeada no porto de Loanda (para observar se as ordens eram cumpridas) até que no dia 23 de agosto de 1847 alli chegou a fragata a vapor ingleza Terrible do commando do distincto e cavalheiro capitão Ramsey, que foi buscar o conde do Bomfim e seus companheiros, que tão atrozmente haviam sido deportados para Angola, sendo aquelle magnifico e grande navio, — então talvez o melhor de Inglaterra—, mandado expressamente a Loanda para aquelle fim em virtude de debate e do desejo do parlamento britannico, e das ordens do governo Inglez querendo que em consequencia do Protocolo de 21 de maio de 1847 pelo qual a França, Hespanha e Inglaterra, pela força d'armas puzeram termo á guerra civil em Portugal derribando a Junta do Porto; fossem reintegrados nos postos, honras e condecorações, de que haviam sido deraitticlos por um decreto por se terem declarado a favor da causa popular ou contra-revolução de 9 de outubro de 1846 no Porto, contra o golpe de estado e reacção em Lisboa na noite de 6 de outubro do mesmo anno.

Saiu de Loanda o conde do Bomfim no dia 8 de setembro de 1847, e chegou a Lisboa a 9 de outubro desse ano.
IX
Desde a Regeneração proclamando a Carta Reformada em abril de I SI» e até á presente época (Junho de l SOO.) Desde que o conde do Bomfim, depois da amnistia de 1847, chegou a Lisboa a 9 de outubro desse anno, voltando do degredo injusto que soffreu em Angola, nunca mais tornou a ser empregado, até que só em 21 de dezembro de 1852 depois da RegeneraÇÃo em abril de 1851 sendo ministro da guerra o nobre marechal duque de Saldanha, foi nomeado membro do Supremo Tribunal de Justiça Militar, logar que não devia ter sido privado de exercer desde que o Protocolo de maio de 1847 restituiu todos os funccionarios do estado aos seus cargos, como os foram exercer os juizes dos outros tribanaes depois que se publicou a amnistia de 1847; e tanto mais isto é assim relativamente ao caso do conde do Bomfim, quanto é certo que depois que voltou em junho de 1846 a Portugal da emigração pelos successos de Torres Novas e Almeida em 1844, foi logo occupar o seu logar no Supremo Tribunal de Justiça Militar havendo-se publicado uma amnistia em 1846 como a que se publicou em 1847, pois que era membro do referido Tribunal, e os seus membros segundo a Carta Constitucional não podem ser demittidos, porque são juizes, e os juizes são inamoviveis;'a lei é egual para todos, e os militares não podem portanto ser julgados por juizes de commissãol


O conde do Bomfim, desde que chegou de Angola, até agora tem-se occupado em pugnar com a maior energia constantemente na camara dos pares sobre muitos objectos de interesse publico, appresentando importantissimos projectos de lei para a organisação das tropas no ultramar, e da armada, exigindo a egualdade da applicação da lei a todos os Portuguezes de todos os partidos, pedindo a aprovação do contracto do caminho de ferro para a sua provincia (Alémtejo), exigindo o cumprimento da amnistia de 1847, e tratando com argumentos irrespondiveis e a maior mestria de obter na camara que se fizesse finalmente justiça aos direitos não só dos officiaes progressistas mas tambem dos officiaes da maioria do exercito que ficaram prejudicados e offendidos em consequencia de haverem sido promovidos os que entraram na revolução pela qual fora proclamada a RegeneraÇÃo de abril de 185Í; vindo este procedimento a tornar-se um castigo para àquelles que se conservaram lieis ao governo legitimo e que consequentemente não entraram na referida revolução; querendo o conde do Bomfim que se fizesse justiça para todos (segundo a mesma Carta Constitucional) e apresentando como poderoso argumento a lei que anteriormente restituiu as suas antiguidades e direitos os officiaes que se tinham compromettido na revolução cartista em que entraram e que fora aniquillada em 1837.

Chegou o zelo e firmeza do conde do Bomfim sobre esta questão, a ponto que na commissão de guerra da camara dos pares, composta de grandes notabilidades do exercito foi elle o ttnico que sustentou triumphantemente, e por modo irrespondivel, os direitos da officialidade, offendidos pôr quaesquer movimentos politicos, embora o projecto de lei, que na camara dos Deputados havia passado quasi com unanimidade, quando foi para a dos Pares fosse regeitado n'aquella occasíão.
Não obstante ser o tenente general mais antigo do exercito,  ter feito distinctos serviços, haver começado a sua carreira militar desde o principio da guerra Peninsular, servindo no estado maior do invicto duque de Wellington a cujas ordens esteve nas memoraveis batalbas da Roliça e Vimeiro, e depois durante o resto da campanha no quartel generel do marechal Beresford, assistindo como seu ajudante general na gloriosa batalha de Salamanca, entrando durante aquella guerra em 9 batalhas, 45 acções de primeira ordem, 6 sitios, 5 assaltos e muitos combates, escaramuças, etc. sendo o unico general portuguez que existe, além do illustre marechal duque de Saldanha, condecorado por S. M. F. com a cruz de ouro por 6 campanhas da guerra Peninsular, e condecorado por S. M. B. com medalha de distincção por commando na mesma guerra; e sobre tudo ter tido depois a honra de haver sido ajudante general e chefe do estado maior imperial do immortal Libertador durante as gloriosas campanhas do Porto e Lisboa, servindo ao lado de S. M. I. até á sua fatal perda; haver sido por differentes vezes ministro da rainha a senhora D. Maria n, presidente do conselho, e lhe ter feito importantes serviços e á nação no gabinete, no parlamento, c no campo, como deputado, como par do reino e como general: é para sentir termos de dizer que observámos, com magoa, que ainda depois de quanto acabamos de referir, foi esquecido o conde do Bomfim, já pobre e endividado, e tendo apenas a mais pequena e insignificante gratificação das que vencem os generaes do exercito quando servem como membros do Supremo Conselho de Justiça Militar; e se deu injustamente o commando em chefe do exercito com a sua pingue gratificação de quatrocentos mil réis mensaes ao tenente general conde da Ponte de Santa Maria, que era major quando o conde do Bomfim era general e chefe do estado maior do Imperador, sendo pois o conde da Ponte de Santa Maria mais moderno do que o conde do Bomflm, embora aquelle general seja muito honrado e digno de toda a consideração pela sua bravura e outras circumstancias, mas que ninguem deve dizer que tem serviços tão extraordinar. »


Pesquisa e compilação de textos de MariaNJardim

O districto de Mossamedes : situação geográfica, limites, clima, etc

 
O PROBLEMA DA ÁGUA NO DISTRITO DE MOÇÂMEDES
 
Do livro O districto de Mossamedes - Pereira do Nascimento, J. (José), 1861-1913   
 
PRIMEIRA PARTE -  CAPITULO I  
 
«...O districto de Mossamedes acha-se comprehendido entre os parallelos 13.0, 50' e 17.0,  25' de
longitude austral. Confina ao norte com o districto de Benguella, a oeste  com o Oceano atlântico,
ao sul com as possessões allemáes, das quaes é separado pela porção do rio Kunene, cujo rumo 
segue na direcção les-oeste desde a Hinga até á foz  e a leste estende-se até os limites ainda não
difinidos da provincia de Angola. 

A parte explorada do districto, a que é habitada pela raça branca, e por isso desperta o interesse 
descriptivo,  abrange uma vasta extensão de território, que se prolonga na linha norte-sul desde o 
parallelo que passa pelo cabo de Santa Martha ao curso inferior do Kunene e na Unha les-oeste 
desde a costa maritima ao curso ascendente do mesmo rio até o Lucéke. E' esta a zona que pelas
suas benéficas condições de clima e riqueza  geológica tem  sido percorrida, habitada e colonisada
pela raça europêa, e a unica que sob o ponto de vista da adaptação da raça branca merece ser 
conhecida.  O districto de Mossamedes divide-se em duas zonas bem distinctas: uma, que se
prolonga de norte a sul com a costa marítima, é baixa, secca e arenosa; e outra, que se segue d esta 
e d'ella se separa pela cordilheira da Chella (Tyela), abrange toda a vasta  bacia do Kunene, é alta, 
chuvosa e ricamente  arborisada; constitue o plan'alto  proveitosamente explorado pela raça branca,
mercê da benignidade do clima e abundância de  elementos de riqueza agrícola e commercial. 

A estas duas zonas tão nitidamente separadas pelos seus caracteres geológicos correspondem 
modalidades climatéricas, que imprimem profundas modificações no modo de ser, nas cousas e
nas  pessoas. 

Zona baixa. 

Prolonga-se para o interior na extensão de 100 kilometros aproximadamente até os contrafortes da 
Chella e alarga gradualmente para o sul até o valle inferior do Kunene constituindo um vasto deserto 
arenoso. Esta zona eleva-se para o interior por modo insensível attingindo a altitude media de 500 
metros nas proximidades da cordilheira da Chella. 

Distinguem-se n'ella duas fachas de terrenos, que correm com caracteres nitidos no sentido 
les-oeste: a primeira, litoral, formada por extensa planície de areia solta com alterações de relevo em 
dunas e ravinas, onde as chuvas são raras e de pouca duração; a segunda, interior, prolongando-se com a 
Chella, pedregosa, com vegetação que augmenta á maneira que se aproxima do planalto e que marca 
o limite das aguas permanentes que correm da zona alta. 

Os terrenos que formam a zona baixa pertencem pelos seus caracteres geológicos á formação terciária
. Encontram-se n'elles grande numero de géneros de conchas e algumas variedades de grés calcarifero
com moldes de bivalvas e rochas formadas por uma aglomeração de conchas ligadas entre si por um 
cimento calcareo. Em muitos logares afastados da costa marítima e em allitudes superiores a 100 e 200
metros encontram-se calhaus rolados de calcareo silicioso e textura porphirica, que demonstram que
esta zona em épocas remotas constituía um fundo do mar, que lentamente se foi elevando do seio
do oceano. 

A rede fluvial da zona baixa comprehende os valles de S. Nicolau, Giraul (Dyraul), Beroe Koroká,
 cujos rios na maior parte do anno estão seccos; apenas levam agua durante alguns dias na estação
pluvial, quando as  chuvas torrenciaes do plan'alto, depois de encherem os afílu entes do Kunene, 
se despenham ennumeras  cataractas pela Chella abaixo. E' então que enormes massas de nuvens 
condensadas sobre a região alta e  açoutadas pelo impetuoso vento sueste são arrastadas para a
zona baixa do valle de Kapangombe, onde se desfazem em catadupas, que conduzidas por milhares 
de regatos e ravinas formam enormes massas d'agua que correm em rápidas e perigosas enchurradas,
que enchem e alagam os terrenos marginaes dos valles por  espaço de dias e mesmo horas causa da 
dureza do terreno e por serem os rios na sua primeira porção alimentados pelo excesso das aguas do
plan'alto. Na facha arenosa do litoral ellas desapparecem em pouco tempo por infiltração nas areias
dos leitos dos rios. Destes o que conserva por mais tempo maior volume d'agua é o Bero, que
 fertilisa os terrenos de Mossamedes. Esterio é o primeiro a conduzir as aguaspluviaes da região alta e o que 
as conserva por maior espaço de tempo. Resulta esta circunstancia de ser o seu curso entre a Chella
e olitoral mais curto e directo, formado em grande extensão por um leito de pedras e principalmente
por ter a sua principal origem no plan'alto por intermédio de um a nascente que deriva para elle um 
grande volume de aguas colhidas na bacia do Jau(Dyau), durante a primeira parte da estação
chuvosa  do planalto, de outubro a dezembro, quando ainda não teem cahido as primeiras chuvas na 
zona baixa; em

E' de notar-se que o regimen pluvial d'esta zona difere considerávelmente do da zona alta.
quanto que os rios de S. Nicolau e Koroka são alimentados pelas chuvas que cahem sobre as 
vertentes occidentaes da Chella, o que só tem logar na quadra das grandes chuvas da zona alta, de
janeiro a abril.  N'esta apparecem as primeiras chuvas em setembro e prolongam-se até dezembro,
formando a primeira parte da estação chuvosa,chamada das pequenas chuvas. N'esta quadra, 
dominando os ventos moderados do nordeste, as nuvens formadas por condensação no plan'alto 
descarregam sobre elle não chegando á zona baixa. Apenas de janeiro a maio, que comprehrnde a
quadra das chuvas torrenciaes e dos ventos impetuosos do quadrante do sueste, e que as chuvas 
attingem a zona baixa e chegam facha arenosa do litoral produzindo innundações passageiras, que 
ainda assim são o único recurso para a fertilidade dos terrenos agricultados nas proximidades de 
Mossamedes, taes são: as hortas do valle do Bero e Cavalleiros e as fazendas agrícolas exploradas
nos valles do Giraul, Koroka e S. Nicolau. 

Lançado no mar o excesso das enchurradas, fica no solo do leito dos rios uma certa humidade que 
se conserva por espaço de um e dois inezes e um deposito de detritos orgânicos, que constitue um 
rico adubo aproveitado pelos agricultores que sobre elle fazem as suas plantações em pleno leito dos
 rios. 

Estas fazendas produzem variadas espécies de cultura, taes como: algodão, cana saccharina, cereaes, legumes,
hortaliças e arvores fructiferas. Empregam no arroteamento dos seus terrenos, 29 rachinas a vapor e 
possuem 32 engenhos de moer cana, e outros tantos alambiques para a distillaçáo da aguardente. 
Pela disposição natural da zona alta, a sua maior altura corresponde á cordilheira da Chella e d'ahi
para o interior desce suavemente para o sul e leste, do que resulta que a maior parte das aguas 
pluviaes correm ao Kunene; deriva para a zona baixa uma pequena porção, que na quadra das 
grandes chuvas cae sobre as vertentes occidentaes da cordilheira, fertilisando os terrenos do valle
de Kapangombe. 

Sobre a facha arenosa do litoral de Mossamedes chove muito pouco, duas ou três vezes por anno. 
Na facha cultivada em frente á Chella chove durante dois a três mezes, emquanto que na zona alta a
estação chuvosa compreende seis mezes no anno. 

Convém observar que tem havido profundas modificações no regimen pluvial da zona baixa, cujas
causas são pouco conhecidas. Em épocas remotas chovia regularmente todos os annos em
quantidade bastante para encher os leitos dos rios. Os antigos agricultores estabelecidos no valle de
Kapangombe e Biballa e os primeiros colonisadores de Mossamedes falam com saudade dos 
primeiros annos da sua installação n'este districto, annos de chuvas abundantes e regulares; d'então
para cá ellas teem diminuído progressivamente a ponto de passarem períodos de quatro e cinco
annos sem cahir uma gotta de agua. 

Quando pela infiltração e evaporação desapparece a humidade no leito dos rios e bem assim durante
os annos de estiagem, em que as aguas por successivas infiltrações nas  areias não chegam a
humedecer os terrenos cultivados, recorrem os agricultores á irrigação com agua extrahida de poços
praticados a profundidade de 5 a 15 metros. Na villa de Mossamedes todas as casas teem poços, que
fornecem agua necessária para os usos ordinários. Esta agua é de má qualidade, pesada, salitrosa,
produzindo perturbações digestivas. 

A existência de uma toalha liquida subterrânea na zona baixa, cujo nivel se mantém  constante apezar
das vicissitudes do regimen pluvial, é um facto incontestável, que nosleva a suppor que cila mantém
estreitas relações com a bacia fluvial do plan'alto, que a alimenta como uma parte importante das suas
aguas por infiltração atravez de camadas porosas, que seguindo as vertentes da Chella se prolongam
e continuam com o sub-solo  da zona baixa. 

E' de importância capital para o desenvolvimento das fazendas agricolassdo valle de Kapangombe 
investigar com apparelhos próprios e aproveitar por meio de poços artesianos este filão de agua, que todas as razões induzem a crer que tenha a sua origem 
no plan'alto, cuja altitude media sobre o valle de Kapangombe é de 1600 metros. 

A agricultura n'esta zona, que foi o principal elemento de prosperidade e riqueza nos tempos áureos do
districto, acha-se actualmente em estado de lastimosa decadência por falta de aguas que irriguem os seus
fertilissimos terrenos. Os annos de secca succedem-se uns apóz outros com insistência esmagadora 
espalhando o desanimo por toda esta riquíssima região, cujos agricultores vão rareando, ceifados uns pela
morte, e outros obrigados por falta de recursos a abandonar as suas propriedades, fructo de longos annos 
de trabalhos. Os mais favorecidos, que ainda assim mantem as suas fazendas a troco de penosos 
sacrifícios, são os que se estabeleceram nas vertentes da Chella, onde aproveitam as primeiras aguas de 
pequenos regatos permanentes, que descem do planalto e formam as origens dos rios da zona baixa. 
 
E' de urgente e inadiável necessidade proceder a estes estudos, pois que o bom êxito dos poços artesianos
é importante medida de salvação para em breve espaço de tempo elevar ao primitivo apogeu a agricultura
em Mossamedes, única fonte de riqueza da população branca do districto, que se acha abatida e 
depauperada nos seus recursos por tão longa estiagem sem esperança de melhores tempos. 

O primeiro ensaio a fazer-se deve naturalmente incidir na zona de Kapangombe por estar mais próxima 
da Chella e oferecer por isso maiores probabilidades de bom êxito. Se d'esta tentativa sortir o desejado 
efeito, fácil será por suceessivas investigações animadoras estabelecer um systema de poços artesianos, 
que colloque a zona agricultada ao abrigo das vicissitudes de um regimen fluvial inconstante, o que 
concorrerá para desenvolver as propriedades existentes com valiosas culturas, crear novos centros de
producção agrícola e animar os proprietários a converter os seus capitães em productivas fontes de receita. 

Esta falta d'agua torna-se sobremodo sensivel na facha de terreno sobre que assenta a estrada que parte de
Mossamedes para o plan'alto, passando pelos sitios denominados: Pedra Grande, Pedra do Major, 
Providencia, Moninho e Kapangombe.Esta estrada é percorrida pelos vagons boers que fazem o transporte
das mercadorias e productos agrícolas entre o plan'alto e o litoral, e vice versa;  pelos viajantes, 
carregadores e manadas de gado para consumo e exportação. 

Nos annos ordinários, em que não chove, não se encontra uma gotta d'agua nem pasto na maior extensão
d'esta facha desde o valle do Giraul até o Moninho, do que resulta morrer á sede e á fome grande numero
de bois que pucham os carros e dos que são enviados do plan'alto para exportação e consumo.Cada vagou
é condusido por 20 a 30 bois, dos quaes um terço e ás vezes metade succumbe por falta d'agua durante os 
10 ou 12 dias de viagem fatigante por este deserto arenoso, atravez do qual os pesados veiiculos carregados
com 100 a 150 arrobas de carga são penosamente arrastados pelos pobres bois famintos e sequiosos por 
entre densas nuvens de suffocante poeira. Está calculado que morrem annualmente n'este deserto 400 a 600 
bois, o que representa um enorme prejuízo para os seus proprietários, que para compensar tão grave damno
elevam cada vez mais o preço do transporte. Basta saber-se que o preço do transporte de uma arroba de
carga do litoral para o plan'alto importava, ha três annos, em IOOO réis e actualmente com a persistência 
das seccas e mortalidade no gado elevou-se a 2S200 réis. 

Independente da perda material do boi, ha a accrescentar a perda da somma de trabalho que o boer dispende
para amansal-o e sujeital-o ao serviço da canga. O boi bravo comprado nos centros productores dos Gambos
e Humbe importa em 10 ou 15 mil réis e depois de amansado e ensinado vale 25 a 30.  Calcule-se do
desanimo que lavra entre os boers e portuguezes que vivem do aluguer dos seus carros para o transporte das
mercadorias, sabendo-se que durante a estiagem rara é a viagem, em que não fiquem orlando a estrada os 
cadáveres de um terço ou metade dos seus bois a servir de festim ás hienas e lobos que infestam estas 
paragens. 

Para de algum modo atenuar tamanho prejuízo, que ameaça aniquilar a exportação de  gado por via de
Mossamedes, pelo excessivo preço a que chegou, e que fere de morte os interesses commerciaes e agrícolas
do plan'alto pela exhorbitante carestia e difficuldades de transporte, ordenou o governo o aproveitamento
de  uns tanques naturaes cavados em uma grande rocha no sitio da Pedra Grande, a dois dias de viagem
de Mossamedes, mandando construir uns paredões que conduzem para elles toda a agua das chuvas que 
cae sobre a enorme pedra que dá o nome a este sitio. 
 
Existe n'este ponto uma casa do governo que serve de pousada aos viajantes, um curral para abrigo do 
gado e algumas cubatas, em que residem os soldados do destacamento. Os tanques cavados na rocha são 
quatro e tem bastante capacidade. Quando sobre a rocha caem chuvas torrenciaes, os tanques enchem-se 
d'agaa, que se conserva por bastante tempo. É d'esta agua que bebem os viajantes e o gado. Quando ella 
diminue e seguem-se annos de estiagem o governo só permitte que se tire a porção indispensável para uso
dos viajantes, prohibindo que seja dada ao gado e para cumprimento d'estas ordens e vigilância dos poços
tem ali um destacamento militar. 

O que fica dito para a Pedra Grande applica-se ao ponto denominado — Pedra da  Providencia, 
com a diferença de não haver casa para viajantes nem destacamento militar. Encontra-se agua em 
cavidades das rochas e poças, quando chove; fora d'estas comdições anormaes a monotonia do 
terreno prolonga-se em desesperadora aridez até ao valle do Moninho, em cujas fazendas se 
encontra agua em cacimbas, que servem para a rega dos terrenos de cultura. 

A vegetação n'esta facha é rachitica, compõe-se da welvitchia mirabilis,falso cedro,algumas
euphorbiaceas, espinheiros e acácias, que vegetam nos valles, ravinas e leitos dos rios seccos. Na fatía 
de terrenos arborisados, que correra parallelos aos contrafortes da Chella, a agua existe  com 
abundandancia durante a estação das chuvas; nas épocas de estiagem  não chega a irrigar a vasta área de
terrenos cultivados. 

O districto de Mossamedes abrange uma arca de 176:250 kilonietros quadrados, duas
vezes a superficie de Portugal. 

Divide-se em sete concelhos, dois na zona baixa, que são: os de Mossamedes e  Kapangombe, e 
cinco no planalto: os da Humpata, Lubango, Huilla, Gambos o Humbe,  dos quaes os três primeiros 
formam a área de colonisação europêa, que explora os seus férteis terrenos; e os dois últimos, que pelas
suas condições de clima nào se prestam  á adaptação da raça branca, formam a área de exploração
commercial com os indígenas e são os centros de permutação do gado bovino, cuja creação constitue 
a principal occupação das raças indígenas, que povoam a riquissima zona do sul do planalto. 
 

Zona baixa. 

Prolonga-se para o interior na extensão de 100 kilometros aproximadamente até os contrafortes da Chella
e alarga gradualmente para o sul até o valle inferior do Kunene constituindo um vasto deserto arenoso. 
Esta zona eleva-se para o interior por modo insensível attingindo a altitude media de 500 metros nas 
proximidades da cordilheira da Chella. Distinguem-se n'ella duas fachas de terrenos, que correm com 
caracteres nitidos no sentido les-oeste: a primeira, litoral, formada por extensa planície de areia solta com
alterações de relevo em dunas e ravinas, onde as chuvas são raras e de pouca duração; a segunda, interior, 
prolongando-se com a Chella, pedregosa, com vegetação que augmenta á maneira que se aproxima do 
planalto e que marca o limite das aguas permanentes que correm da zona alta. 

Os terrenos que formam a zona baixa pertencem pelos seus caracteres geológicos á formação terciária
Encontram-se n'elles grande numero de géneros de conchas e algumas variedades de grés calcarifero 
com moldes de bivalvas e rochas formadas por uma aglomeração de conchas ligadas entre si por um  
cimento calcareo. Em muitos logares afastados da costa marítima e em allitudes superiores a 100 e 200 
metros encontram-se calhaus rolados de calcareo silicioso e textura porphirica, que demonstram que esta
zona em épocas remotas constituía um fundo do mar, que lentamente se foi elevando do seiodo oceano. 
A rede fluvial da zona baixa comprehende os valles de S. Nicolau, Giraul (Dyraul), Beroe Koroká, cujos
rios na maior parte do anno estão seccos; apenas levam agua durante alguns dias na estaçãopluvial, 
quando as  chuvas torrenciaes do plan'alto, depois de encherem os afíluentes do Kunene, se despenham
ennumeras  cataractas pela Chella abaixo. E' então que enormes massas de nuvens condensadas sobre a
região alta e  açoutadas pelo impetuoso vento sueste são arrastadas para azona baixa do valle de 
Kapangombe, onde se desfazem em catadupas, que conduzidas por milhares de regatos e ravinas formam
enormes massas d'agua que correm em rápidas e perigosas enchurradas,que enchem e alagam os terrenos
marginaes dos valles por  espaço de dias e mesmo horas causa da dureza do terreno e por serem os rios 
na sua primeira porção alimentados pelo excesso das aguas doplan'alto. Na facha arenosa do litoral ellas 
desapparecem em pouco tempo por infiltração nas areiasdos leitos dos rios. Destes o que conserva por 
mais tempo maior volume d'agua é o Bero, que fertilisa os terrenos de Mossamedes. Esterio é o primeiro 
a conduzir as aguaspluviaes da região alta e o que as conserva por maior espaço de tempo. Resulta esta 
circunstancia de ser o seu curso entre a Chellae olitoral mais curto e directo, formado em grande extensão
por um leito de pedras e principalmente por ter a sua principal origem no plan'alto por intermédio de um 
a nascente que deriva para elle um grande volume de aguas colhidas na bacia do Jau(Dyau), durante a 
primeira parte da estaçãochuvosa  do planalto, de outubro a dezembro, quando ainda não teem cahido as
primeiras chuvas na zona baixa; em e'de notar-se que o regimen pluvial d'esta zona difere considerável-
mente do da zona alta.quanto que os rios de S. Nicolau e Koroka são alimentados pelas chuvas que cahem
sobre as vertentes occidentaes da Chella, o que só tem logar na quadra das grandes chuvas da zona alta, 
dejaneiro a abril.  N'esta apparecem as primeiras chuvas em setembro e prolongam-se até dezembro,
formando a primeira parte da estação chuvosa,chamada das pequenas chuvas. N'esta quadra, dominando 
os ventos moderados do nordeste, as nuvens formadas por condensação no plan'alto descarregam sobre elle 
não chegando á zona baixa. Apenas de janeiro a maio, que comprehrnde aquadra das chuvas torrenciaes e 
dos ventos impetuosos do quadrante do sueste, e que as chuvas attingem a zona baixa e chegam facha 
arenosa do litoral produzindo innundações passageiras, que ainda assim são o único recurso para afertilidade
dos terrenos agricultados nas proximidades de Mossamedes, taes são: as hortas do valle do Bero e 
Cavalleiros e as fazendas agrícolas exploradas nos valles do Giraul, Koroka e S. Nicolau. 

Lançado no mar o excesso das enchurradas, fica no solo do leito dos rios uma certa humidade que se 
conserva por espaço de um e dois inezes e um deposito de detritos orgânicos, que constitue um rico adubo 
aproveitado pelos agricultores que sobre elle fazem as suas plantações em pleno leito dos rios. Estas 
fazendas produzem variadas espécies de cultura, taes como: algodão, cana saccharina, cereaes, legumes, 
hortaliças e arvores fructiferas. Empregam no arroteamento dos seus terrenos, 29 rachinas a vapor e  
possuem 32 engenhos de moer cana, e outros tantos alambiques para a distillaçáo da aguardente. Pela 
disposição natural da zona alta, a sua maior altura corresponde á cordilheira da Chella e d'ahipara o interior
desce suavemente para o sul e leste, do que resulta que a maior parte das aguas pluviaes correm ao Kunene;
deriva para a zona baixa uma pequena porção, que na quadra das grandes chuvas cae sobre as vertentes 
occidentaes da cordilheira, fertilisando os terrenos do valle de Kapangombe. 

Sobre a facha arenosa do litoral de Mossamedes chove muito pouco, duas ou três vezes por anno. Na facha 
cultivada em frente á Chella chove durante dois a três mezes, emquanto que na zona alta aestação chuvosa 
compreende seis mezes no anno. Convém observar que tem havido profundas modificações no regimen 
pluvial da zona baixa, cujascausas são pouco conhecidas. Em épocas remotas chovia regularmente todos os
annos emquantidade bastante para encher os leitos dos rios. Os antigos agricultores estabelecidos no valle 
de Kapangombe e Biballa e os primeiros colonisadores de Mossamedes falam com saudade dos primeiros 
annos da sua installação n'este districto, annos de chuvas abundantes e regulares; d'entãopara cá ellas teem 
diminuído progressivamente a ponto de passarem períodos de quatro e cincoannos sem cahir uma gotta de
agua. Quando pela infiltração e evaporação desapparece a humidade no leito dos rios e bem assim durante 
os annos de estiagem, em que as aguas por successivas infiltrações nas  areias não chegam ahumedecer os 
terrenos cultivados, recorrem os agricultores á irrigação com agua extrahida de poçospraticados a 
profundidade de 5 a 15 metros. Na villa de Mossamedes todas as casas teem poços, quefornecem agua 
necessária para os usos ordinários. Esta agua é de má qualidade, pesada, salitrosa,produzindo perturbações 
digestivas. 

A existência de uma toalha liquida subterrânea na zona baixa, cujo nivel se mantém  constante apezardas 
vicissitudes do regimen pluvial, é um facto incontestável, que nosleva a suppor que cila mantémestreitas
relações com a bacia fluvial do plan'alto, que a alimenta como uma parte importante das suasaguas por 
infiltração atravez de camadas porosas, que seguindo as vertentes da Chella se prolongame continuam com
o sub-solo  da zona baixa. E' de importância capital para o desenvolvimento das fazendas agricolassdo valle
de Kapangombe investigar com apparelhos próprios e aproveitar por meio de poços artesianos este filão de 
agua, que todas as razões induzem a crer que tenha a sua origem no plan'alto, cuja altitude media sobre o 
valle de Kapangombe é de 1600 metros. A agricultura n'esta zona, qu(foi o principal elemento de prosperidade e riqueza nostempos áureos do districto, acha-se actualmente em estado de lastimosa decadência por falta de aguas que irriguem os seus fertilissimos terrenos. Os annos de secca succedem-seuns apóz outros com insistência esmagadora espalhando o desanimo por toda esta riquíssima região, cujos agricultores vão rareando, ceifados uns pela morte, e outros obrigados por falta de recursos a abandonar a.s suas propriedades, fructo de longos annos de trabalhos. Os mais favorecidos, que ainda assim mantem as suas fazendas atroco de penosos sacrifícios, são os que se estabeleceram nas vertentes da Chella, ondeaproveitam as primeiras aguas de pequenos regatos permanentes, que descem do planaltoe formam as origens dos rios da zona baixa. 
 E' de urgente e inadiável necessidade proceder a estes estudos, pois que o bom êxito dospoços artesianos é importante medida de salvação para em breve espaço de tempoelevar ao primitivo apogeu a agricultura em Mossamedes, única fonte de riqueza dapopulação branca do districto, que se acha abatida e depauperada nos seus recursos por tão longa estiagem sem esperança de melhores tempos. 

O primeiro ensaio a fazer-se deve naturalmente incidir na zona de Kapangombe por estar mais próxima da Chella e oíferecer por isso maiores probabilidades de bom êxito. Se d'esta tentativa sortiro desejado efeito, fácil será por suceessivas investigações animadoras estabelecer um systema depoços artesianos, que colloque a zona agricultada ao abrigo das vicissitudes de um regimen fluvial inconstante, o que concorrerá para desenvolver as propriedades existentes com valiosas culturas, crear novos centros de producção agrícola e animar os proprietários a converter os seus capitães em productivas fontes de receita. 

Esta falta d'agua torna-se sobremodo sensivel na facha de terreno sobre que assenta a estrada queparte de Mossamedes para o plan'alto, passando pelos sitios denominados: Pedra Grande, Pedra doMajor,  Providencia, Moninho e Kapangombe. 

Esta estrada é percorrida pelos vagons loers que fazem o transporte das mercadorias e productos agrícolas entre o plan'alto e o litoral, e vice versa; pelos viajantes, carregadores e manadas de gadopara consumo e exportação. 

Nos annos ordinários, em que não chove, não se encontra uma gotta d'agua nem pasto na maior extensão d'esta facha desde o valle do Giraul até o Moninho, do que resulta morrer á sede e á fomegrande numero de bois que pucham os carros e dos que são enviados do plan'alto para exportaçãoe consumo. 

Cada vagou é condusido por 20 a 30 bois, dos quaes um terço e ás vezes metade succumbe por faltad'agua durante os 10 ou 12 dias de viagem ftitigante por este deserto arenoso, atravez do qual ospesados veiiculos carregados com 100 a 150 arrobas de carga são penosamente arrastados pelos pobres bois famintos e sequiosos por entre densas nuvens de suffocante poeira. 

Está calculado que morrem annual mente n'este deserto 400 a 600 bois, o que representa um enormeprejuízo para os seus proprietários, que para compensar tão grave damno elevam cada vez mais opreço do transporte. 

Basta saber-se que o preço do transporte de uma arroba de carga do litoral para o plan'alto importava, ha três annos, em ISOOO réis e actualmente com a persistência das seccas e mortalidade no gado elevou-se a 2S200 réis. 

Independente da perda material do boi, ha a accrescentar a perda da somma de trabalho que o boer 
dispende para amansal-o e sujeital-o ao serviço da canga. O boi bravo comprado nos centros productores
dos Gambos e Humbe importa em 10 ou 15 mil réis e depois de amansado e ensinado vale 25 a 30. 
Calcule-se do desanimo que lavra entre os boers e portuguezes que vivem do aluguer dos seus carros 
para o transporte das mercadorias, sabendo-se que durante a estiagem rara é a viagem, em que não fiquem
orlando a estrada os cadáveres de um terço ou metade dos seus bois aservir de festim ás hienas e lobos 
que infestam estas paragens. 

Para de algum modo atenuar tamanho prejuízo, que ameaça aniquilar a exportação de  gado por via de Mossamedes, pelo excessivo preço a que chegou, e que fere de morte os interesses commerciaes e agrícolas do plan'alto pela exhorbitante carestia e difficuldades de transporte, ordenou o governo oaproveitamento de  uns tanques naturaes cavados em uma grande rocha no sitio da Pedra Grande, a dois dias de viagem de Mossamedes, mandando construir uns paredões que conduzem para elles toda a agua das chuvas que cae sobre a enorme pedra que dá o nome a este sitio. 
Existe n'este ponto uma casa do governo que serve de pousada aos via.jantes, um curral para abrigodo
gado e algumas cubatas, em que residem os soldados do destacamento. 

Os tanques cavados na rocha são quatro e tem bastante capacidade. Quando sobre a rocha caem chuvas
torrenciaes, os tanques enchem-se d'agaa, que se conserva por bastante tempo. É d'esta agua que bebem 
os viajantes e o gado. Quando ella diminue e seguem-se annos de estiagem o governo só permitte que se 
tire a porção indispensável para uso dos viajantes, prohibindo que seja dada ao gadoe para cumprimento 
d'estas ordens e vigilância dos poços tem ali um destacamento militar. 

O que fica dito para a Pedra Grande applica-se ao ponto denominado — Pedra da  Providencia,
com adiferença de não haver casa para viajantes nem destacamento militar. Encontra-se agua em
cavidadesdas rochas e poças, quando chove; fora d'estas comdições anormaes a monotonia do 
terreno prolonga-se em desesperadora aridez até ao valle do Moninho, em cujas fazendas se 
encontra aguaem cacimbas, que servem para a rega dos terrenos de cultura. 

A vegetação n'esta facha é rachitica, compõe-se da welvitchia mirabilis, falso cedro, algumas 
euphorbiaceas, espinheiros e acácias, que vegetam nos valles, ravinas e leitos dos rios seccos. Na faciía 
de terrenos arborisados, que correra parallelos aos contrafortes da Chella, a agua existe com 
abundandancia durante a estação das chuvas; nas épocas de estiagem  não chega a irrigar avasta área de 
terrenos cultivados. O districto de Mossamedes abrange uma arca de 176:250 kilonietros quadrados, duasvezes a superficie de Portugal. 

Divide-se em sete concelhos, dois na zona baixa, que são: os de Mossamedes e  Kapangombe, e cinco no planalto: os da Humpata, Lubango, Huilla, Gambos o Humbe,  dos quaes os três primeiros formam a área de colonisação europêa, que explora os seus férteis terrenos; e os dois últimos, que pelas suas condições de clima nào se prestam  á adaptação da raça branca, formam a área deexploração commercial com os indígenas e são os centros de permutação do gado bovino, cujacreação constitue a principal occupação das raças indígenas, que povoam a riquissima zona do sul do planalto. 
 
 
Do livro O districto de Mossamedes - Pereira do Nascimento, J. (José), 1861-1913