Aqui procurarei depositar retalhos de Estórias e da História de Mossâmedes (Moçâmedes, actual Namibe), uns, resgatados às páginas de antigos livros e documentos retirados das prateleiras de alfarrabistas, ou rebuscados no interior de bibliotecas, reais e virtuais... e ainda outros, fundados em testemunhos de vivos e experiências vividas. Porque é nas estórias e na História, naquilo que de melhor ou pior aconteceu, que devemos, todos, portugueses e angolanos, europeus e africanos, buscar ensinamentos, para que, não repetindo os erros do passado, sejamos capazes de nos relançar e progredir no futuro, enquanto pessoas e cidadãos. Citando o Padre Ruela Pombo (*): "Os mortos guiam os vivos!... É verdade: sem freio nem chicote...O passado impõe-se ao presente, e garante o futuro.O homem egoísta é inimigo do verdadeiro Progresso e prejudicial à Sociedade. É esta a minha ...ilusão!"



(*) in
“Paulo Dias de Novais e a Fundação de Luanda – 350 anos depois...”, 2 de Dezembro de 1926 – Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa, Portugal












quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Casas da Rua 4 de Agosto,



Estas são as casas da ex-Rua 4 de Agosto, rua perpendicular ao mar que tinha início na Avenida da Praia do Bonfim, passava pela Câmara Municipal, e subia até à estrada da Circunvalação. Nesta rua moraram noutros tempos, entre outros, a família Carvalho, a família Tendinha, Constantino e Aurélia do Ó Faustino, e na 1ª casa, à dt. ficava a Igreja Evangélica.

São casas térreas, de traça tipicamente portuguesa, cujo interior, regra geral, é dividido a meio por um corredor que separa duas alas onde ficam os quartos, e as salas, sala de jantar e sala de visitas, terminando com uma «marquize» a toda a largura da casa, e com um pequeno quintal/jardim, onde ficava a cozinha, a dispensa e a casa de banho.

Com a construção destas casas, a cidade de Moçâmedes avançou um pouco mais deserto adentro, porém terminavam aqui as casas de traça tradicional portuguesa que ficaram a caracterizar a parte central da cidade. Em seguida, veio a época das vivendas, que começaram paulatinamente a invadir as areias do deserto, para o que contribuiu a criação em finais da década de quarenta da Sociedade Cooperativa «O Lar do Namibe» e a adesão crescente de associados interessados a virem um dia, por sorteio, número de ordem, ou por antecipação de capital, a concretizar o sonho de adquirirem direito à sua habitação.

Em Angola não havia a concessão de créditos bancários destinados à construção e compra de habitação própria, e quando esta Cooperativa começou a expandir-se em termos de grandeza, foi grande a luta dirigida pelo seu presidente, Mariano Pereira Craveiro para obter legislação conducente à construção de habitação por facções, bem como os susbsequentes normativos para a regulamentação dos condóminos.

Foi, pois, com a grande ajuda desta Cooperativa que Moçâmedes foi aos poucos deixando de ser apenas aquela cidadezinha onde dominava uma arquitectura de velha traça portuguesa, para se encher de lindas e floridas vivendas, ao mesmo tempo que novas ruas, e avenidas eram rasgadas, e bonitos jardins iam tendo lugar. Importa pois ter presente, que, não fosse o sistema Cooperativo, Moçâmedes teria, neste aspecto, um ritmo de desenvolvimento
bastante mais lento, na medida em que, à época, era uma terra onde economicamente raros se destacavam, com excepção daqueles que tinham interesses na indústria piscatória, no Comércio e dos poucos dedicados à Agropecuária.

Citando o exemplo de mim própria, direi que aos 7 anos de idade os meus pais inscreveram-se como sócia da Cooperativa «O Lar Namibe», tendo começado a partir daí a pagar uma determinada quotização mensal. 25 anos depois, em 1972, adquiri o direito à construção. Poderia ter sido contemplada por sorteio, como poderia ter sido contemplada por nº de ordem, antecipando desse modo a construção. Podia até, se dispuzesse de dinheiro fazer uma oferta em leilão. Não foi isso que aconteceu, porque nunca encontrei na minha terra a tal «árvore das patacas» que muitos lá ao longe julgavam existir. Tive que esperar 1/4 de século, o tempo limite para aquisição do referido direito, porque ao fim desse tempo ainda não havia conseguido as economias necessárias para avançar por minha conta para a construção. Foi necessário 1/4 de século de sacrifícios e privações para que esse sonho viesse a ser possível, porque os Bancos, na altura, não emprestavam dinheiro a juros para compra de habitação.


A
minha habitação, fruto de sacrifícios e privações, ficou pronta nas vésperas da independência. Limitei-me a fechar a porta, a dizer-lhe adeus, bem como a dizer adeus para sempre, à cidade que me viu nascer e que fora berço dos meus filhos e onde haviam nascido os meus pais. Sobre o recheio da minha habitação (que incluia toda a sorte de coisas ali deixadas por mim, bem como de familiares e amigos em pânico que ali as foram depositar quando da diáspora), soube mais tarde que fora levado para algures em Angola, num qualquer camião, por guerrilheiros da UNITA (*) em fuga, nos momentos a seguir à independência de Angola, aquando da recuperação pelo MPLA, da cidade de Moçâmedes. Com o recheio, foram as coisas mais caras para mim: os albuns das minhas recordações, os quadros a óleo que durante tantos anos pintei, o enxoval totalmente feito e bordado por mim. Quanto ao resto, custou, mas já me habituei, até porque posso considerar-me uma das felizes contempladas da sorte em terras de Portugal. Contemplados da sorte, porque cheguei a Portugal em 1975, de mãos vazias é certo, mas, felizmente com emprego, e como referi, em menos de um ano, graças à facilidade dos Bancos ao crédito para habitação, consegui aceder de maneira muito facilitada à habitação própria. Comparando com a situação anteriormente descrita, seria caso para dizer: afinal onde ficava essa famosa «árvore das patacas»? É que em Angola nunca a vi!

MariaNJardim

Foto gentilmente cedida por: Ruca/Cubal:
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http://cubal-angola.blogspot.com/

Professor Carriço: explorações científicas no deserto de Moçâmedes




Sobre o KANE-WIA, o mítico morro do Namibe, do blog de Namibiano Ferreira transcrevo o texto que segue, relacionado com a morte do Dr. Carriço, encontrado no blogue de Namibiano Ferreira:

"KANE-WIA, o mítico morro do Namibe
«No interior da província do Namibe, em Angola existe, próximo do Virei, um morro conhecido pelo nome de Kane-Wia, termo que, em idioma Tchierero (língua dos Mucubais) significa “quem o subir não volta” ou "quem sobe não volta". Contava-me o meu avô (João Craveiro de Tombwa) que nunca ninguém ousou subir este morro porque as histórias contadas pelos Mucubais referiam que quem subisse este acidente geográfico não mais regressaria. Portanto, O Kane-Wia vivia sossegado e inexplorado, uma espécie de montanha sagrada onde Deus dorme e, por esse motivo, interdita ao comum dos mortais. Em 1937, um eminente biólogo da Universidade de Coimbra, Dr. Luís Wittnich Carrisso, veio até ao Namibe para estudar a flora local e como homem racional e de ciência que era resolveu contrariar a crença subindo o Kane-Wia. Seja por mera coincidência ou por outra estranha razão o grande cientista português, embora socorrido pelo seu companheiro, veio a sucumbir em pleno deserto, a cerca de 80 km da cidade de Moçâmedes (actual Namibe). Nesse mesmo local foi, posteriormente, erguida uma lápide com a seguinte inscrição: “Dr. L. W. Carrisso XIV-VI-MCMXXXVII”. »



 Monumento alusivo ao botânico Dr Luiz Wittnich Carrisso, falecido no Deserto do Namibe


Algum tempo atrás, na estrada-picada, a cerca de meio caminho entre o Pico do Azevedo e o Virei, quem fosse com atenção encontrava junto à berma da estrada uma abandonada lage alusiva ao ali falecido botânico Dr Luiz Wittnich Carrisso, o professor catedrático que sucumbiu no seu posto, naquele sítio ermo, onde a curiosa Welwitschia não medra e as Suricatas vegetam a par de uma ou outra Tua pernalta e os arbustos, certamente por ele estudados, mais densos à volta daquela modesta laje, parecendo querer protegê-lo do sol ardente que ali se faz sentir. Qualquer pessoa de formação cristã que ali se apeie, sente a tristeza daquele quadro abandonado e, ao ler o epitáfio naquela laje gravado, nostalgicamente não deixará de ali fazer uma oração em homenagem a tão ilustre botânico.

 Monumento alusivo ao botânico Dr Luiz Wittnich Carrisso, falecido no Deserto do Namibe

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..." Quem sai de Moçâmedes pela estrada asfaltada em direcção a Porto Alexandre, percorridos cerca de dezassete quilómetros, encontra à esquerda a estrada-picada que, remando ao Pico do Azevedo, alcança o Virei, o Cainde e o Planalto da Chela : era em tempos idos o caminho dos candongueiros do peixe seco que, fugindo à fiscalização, por ali se aventuravam naquela época, em que o Posto Administrativo do Cainde era o único obstáculo a enfrentar, cujo chefe estava quase sempre ausente na Chibia (área do Concelho a que pertencia) e que mais tarde passou a área do Distrito de Moçamedes, que construiu a Sede da Circunscrição do Virei num local desértico em que um afloramento de água matava a sede às gazelas e era o ponto onde os ditos candongueiros descansavam para à noite galgarem os contrafortes da Chela. Eram homens batidos, que agarrados aos seus camions, atravessavam o arenoso rio Cubal (em Moçamedes o Bero), percorrendo caminhos pedregosos, sempre a subir até à Hunguéria, último "treck" que ligava ao Planalto.

É nessa estrada-picada, a cerca de meio caminho entre o Pico do Azevedo e o Virei que, quem fôr com atenção encontram junto à berma da estrada uma abandonada lage alusiva ao ali falecido botânico Luiz Wittnich Carrisso, que fora professor da Universidade de Coimbra, um notável catedrático (1886/1937). Estudou a flora tropical e foi autor dfe "Flores de África", "Agrostologia de Angola" e "O Problema Colonial perante a Nação", etc.

Aquele homem sucumbiu no seu posto, naquele sítio ermo, onde a curiosa Welwitschia não medra e as Suricatas vegetam a par de uma ou outra Tua pernalta e os arbustos, certamente por ele estudados, mais densos à volta daquela modesta laje , perecem querer protegê-lo do sol ardente que ali se faz sentir; qualquer pessoa de formação cristã que ali se apeie, sente a tristeza daquele quadro abandonado e, ao ler o epitáfio naquela laje gravado, nostalgicamente não deixará de ali fazer uma oração em homenagem a tão ilustre botânico.

Desconhecendo a causa que o vitimou, não posso deixar de recordar os velhos pioneiros do deserto e suas zonas limítrofes que, se falassem, poderiam fazer alguma luz sobre aquele caso de uma época remota da tipóia e do Boi Cavalo que, com os carregadores se aventuravam na vida, bebendo águas inquinadas, sujeitos ao paludismo e à Biliosas.
Só mais tarde, com o aparecimento do carro boer, cuja lentidão das longas juntas de bois que o atrelavam, lhes transmitiam mais segurança, começaram a penetrar no sertão, abrindo trilhas aos lugares susceptíveis de água e contacto com o gentio. Muitos por lá ficaram vitimados pela malária e as Biliosas (doença transmitida por um vírus africano), cuja imobilidade era, para esses casos, a mais recomendada, impossibilitando-os de procurarem recursos".

-- (Artigo de ANTÓNIO LUIS CORREIA, ex-residente na CHIBIA e LOBITO)--
in Blog AngolaBrasilPortugal




 
Carrisso no Deserto do Namibe, com um mucubal




Carrisso e Mendonça no Deserto do Namibe, junto a uma Welwitschia



Carrisso e o Herbário de Coimbra

Fátima Sales (2007)

(adaptado de Sales, F. 2005. Carrisso: implicações no desenvolvimento da Botânica. In: Freitas, H., Amaral, P., Ramires, A. & Sales, F. Eds. Missão Botânica, Angola (1927-1937). Imprensa da Universidade: Coimbra)

O espólio do Herbário COI tem sido enriquecido com as contribuições científicas de vários botânicos. Um dos seus directores, Luíz Wittnich Carrisso, contribui em muito para a sua larga colecção de plantas africanas, quer pelas expedições que organizou a Angola durante as quais foi colhido grande quantidade de material, quer pelo legado de entusiasmo pela investigação das plantas dessas paragens.

Carrisso nasceu na Figueira da Foz a 14 de Fevereiro de 1886, filho de Ignácio Augusto Carrisso e da holandesa Leopoldina Wittnich. Faleceu repentinamente de síncope cardíaca aos 51 anos a 14 de Junho de 1937 no deserto do Namibe (Mossamedes), em Angola, no final da sua terceira expedição científica a este país. Por esta altura Carrisso tinha uma longa história de homem das ciências e homem público; era há 19 anos Professor Catedrático da Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra e Director do Instituto Botânico Júlio Henriques. Estava acompanhado por sua esposa, Ana Maria de Sousa Wittnich Carrisso, Francisco da Assunção Mendonça (naturalista do Instituto Botânico de Coimbra), Jara de Carvalho (assistente do Instituto Botânico de Coimbra), Francisco de Sousa (colector do Instituto Botânico de Coimbra), Arthur Wallis Exell (naturalista do British Museum, Londres) e esposa e o John Gossweiller (botânico suíço ao serviço de Portugal em Angola).


A 1 de Junho de 1927 Carrisso e Mendonça partiram para a primeira Missão Botânica a Angola. A verba era pouca e, portanto, a organização foi modesta contando apenas com material simples para herborizações e equipamento fotográfico. Viajaram em condições difíceis como era, aliás, costume na época em África e está patente em várias memórias fotográficas. Mais de metade do tempo passam-no na zona remota do noroeste de Angola mas também visitaram o deserto do Namibe (Mossamedes). Foram ainda a Cabinda e ao Congo Belga. Chegaram a Lisboa a 13 de Dezembro do mesmo ano com grande quantidade de material vegetal.Totalmente enfeitiçado por África (quantos o não ficam??), Carrisso regressou a Portugal e, de imediato, planeou a segunda expedição, a qual teve lugar em 1929, e teve o título “Missão Académica a Angola”. A expedição foi pensada com um grande sentido pedagógico, como uma grande aula prática de campo. Nela participaram 22 pessoas entre professores universitários de todo o país, alunos universitários dos últimos anos, Mendonça, Carrisso e Ana Maria, sua esposa.

A experiência científica e pessoal constituiu qualquer coisa de único na vida dos aprendizes de expedicionários tendo-se estabelecido uma ligação profunda entre os elementos do grupo. Partiram de Lisboa a 10 de Agosto, percorreram 6.000 km em Angola onde estudaram a flora, a fauna, as potencialidades económicas, as condições de vida social e os problemas locais. A viagem fez-se, primeiro de barco, ao longo da costa, depois utilizando o sistema ferroviário e depois por estrada. De regresso passaram por São Tomé onde admiraram a sua vegetação tropical. Durante estas duas explorações científicas a Angola foi colhido muito material vegetal. Durante 3 anos Carrisso e Mendonça prepararam um Syllogue Florae Angolensis do material colhido [sumário de colecção de exemplares]. Ao trabalhar com esse material, arquivá-lo, determiná-lo e tentar lidar com a sua nomenclatura foi reconhecida a necessidade de, como recomenda a boa metodologia taxonómica, compará-lo com a maior quantidade de material possível e estudar a bibliografia relevante.

Nesse tempo não havia nem grandes colecções de África em Coimbra nem uma biblioteca adequada; como colaborador, Carrisso contava apenas com Mendonça. Dado que as melhores colecções e conhecimentos sobre a flora de Angola estavam em Londres, no British Museum Carrisso estabeleceu, então, uma colaboração oficial entre o Conselho da Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra e o British Museum para a elaboração da obra Conspectus Flora Angolensis, obra de âmbito incomparavelmente maior do que o preliminar Syllogue. Em 1934 convidou Exell (naturalista experimentado em trabalho de campo e de herbário) para tomar conhecimento dos trabalhos já iniciados em Coimbra. Convidou Gossweiller com o mesmo objectivo. Organizou a visita de Mendonça aos herbários de Londres e Berlim-Dahlem tornando-o num naturalista cosmopolita. Passaram-se quase 7 anos na elaboração deste primeiro fascículo do volume 1 do Consp. Fl. Angol. Durante este tempo tornou-se óbvio que as expedições florísticas a Angola não se podiam dar por terminadas. Preparou-se, então, a terceira missão. Do ponto de vista científico esta terceira expedição foi a melhor organizada, e foi a mais frutuosa do ponto de vista botânico. Havia mais experiência e melhor conhecimento da área a explorar; os anos de estudo da flora tornaram os objectivos mais precisos; a equipa tinha o número ideal de botânicos experientes. Em Fevereiro de 1937, poucos dias depois de publicado o primeiro fascículo do Conspectus Flora Angolensis, Carrisso e os seus companheiros de Coimbra partiram de Lisboa rumo a Luanda. Lá juntaram-se a Exell, sua esposa e Gossweiller e iniciaram uma viagem em que colheram cerca de 25.000 exemplares de herbário. Esses exemplares têm sido um contributo precioso para a elaboração do Conspectus (ainda hoje inacabado) e outros estudos florísticos na área de Angola. No total, as três viagens somaram cerca de 30.000 km, mais do que os 28.000 km da rede de estradas de Angola à altura.

O material de herbário colhido durante estas expedições foi juntar-se às colecções do alemão Friedrich Welwitsch (1806-1861) e Gossweiller constituindo o todo material de referência de uma parte muito interessante de África. De facto, Angola estende-se dos paralelos 5º (incluindo Cabinda) – 18ºS e dos meridianos 12º –24º E, ou seja, cobre uma variedade enorme de habitats, da floresta tropical ao deserto, da orla marítima, passando pela longa escarpa até ao vasto planalto interior o qual, no seu extremo este, vê passar o rio Zambeze. Espécies novas descritas de Angola têm muitas vezes distribuição ou em todo o sul da África ou na África central — daí a grande importância destas colecções históricas. Carrisso foi mais um homem de acção, um explorador, um condutor de homens e eventos, do que um investigador de laboratório ou de herbário. Não deixou muitos artigos científicos escritos pelo seu próprio punho; mas ficou memória de várias conferências vibrantes e sempre, sempre frontais na apreciação que fazia da sociedade portuguesa. 






Segunda-feira, 14 de Junho de 1937. O deserto de Mossamedes (Namibe) pela terceira vez. Expedição a 102 km a sul da cidade de Mossamedes (Namibe). Acampamento a 2 km do Morro das Paralelas. A expedição subia o morro e colhia plantas. Carrisso sentiu-se mal e foi rodeado por Ana Maria e Jara de Carvalho. A expedição regressou aos veículos, Carrisso pelo seu pé, sem ajuda, já se sentindo melhor. À beira da tenda, um cajado numa mão, um molhe de plantas na outra, enquanto lhe preparavam a cama de campanha acabou por concordar que fosse chamado um médico a Mossamedes (Namibe). Deitou-se e ajeitou-se na cama (Cristão, 1937). Não teve filhos. Publicou artigos científicos. Colheu plantas. Semeou ideias.Texto integral AQUI
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Missão Académica a Angola
Alguns Aspectos Cinematográficos da Viagem
(reportagem da segunda expedição, realizada em 1929)

Para saber mais, clicar AQUI

 Welwitschia Mirabilis
Para mais informação: ver AQUI
e AQUI

 http://www.publico.pt/portugal/noticia/neste-powerpoint-dos-anos-1930-esta-um-capitulo-da-ciencia-colonial-1682072



Foto de Marian Jardim. 
 Recepção em Moçâmedes à chegada ali, no ano de 1937, do  Dr. Luíz Wittnich Carrisso. Podemos ver, à esquerda, duas caras conhecidas da terra, Armando Guedes da Silva e António Guedes da Silva, tendo à sua direita, de chapéu de abas largas, fato cinza, camisa branca e laçinho, o ilustre Dr Carriço



Esta foto mostra-nos a recepção efectuada em Moçâmedes, à chegada ali, do Dr. Luíz Wittnich Carrisso (1886-1937), o ilustre botânico.que foi professor catedrático da Universidade de Coimbra, e que no Deserto do Namibe, ao qual fez várias incursões, estudou a flora tropical, tendo contribuido em muito para a larga colecção de plantas africanas do Herbário de Coimbra, quer pelas expedições que organizou a Angola durante as quais foi colhido grande quantidade de material, quer pelo legado de entusiasmo pela investigação das plantas dessas paragens. Foi autor de "Flores de África", "Agrostologia de Angola" e "O Problema Colonial perante a Nação".

Na terceira das suas expedições científicas, o Dr Carrisso faleceu repentinamente de síncope cardíaca aos 51 anos, a 14 de Junho de 1937 , em pleno deserto do Namibe. A expedição subia o morro e colhia plantas. Carrisso sentiu-se mal e regressou aos veículos, pelo seu pé, sem ajuda, já se sentindo melhor. À beira da tenda, um cajado numa mão, um molhe de plantas na outra, enquanto lhe preparavam a cama de campanha acabou por concordar que fosse chamado um médico a Moçâmedes Deitou-se, ajeitou-se na cama, faleceu!





MariaNJardim