Aqui procurarei depositar retalhos de Estórias e da História de Mossâmedes (Moçâmedes, actual Namibe), uns, resgatados às páginas de antigos livros e documentos retirados das prateleiras de alfarrabistas, ou rebuscados no interior de bibliotecas, reais e virtuais... e ainda outros, fundados em testemunhos de vivos e experiências vividas. Porque é nas estórias e na História, naquilo que de melhor ou pior aconteceu, que devemos, todos, portugueses e angolanos, europeus e africanos, buscar ensinamentos, para que, não repetindo os erros do passado, sejamos capazes de nos relançar e progredir no futuro, enquanto pessoas e cidadãos. Citando o Padre Ruela Pombo (*): "Os mortos guiam os vivos!... É verdade: sem freio nem chicote...O passado impõe-se ao presente, e garante o futuro.O homem egoísta é inimigo do verdadeiro Progresso e prejudicial à Sociedade. É esta a minha ...ilusão!"



(*) in
“Paulo Dias de Novais e a Fundação de Luanda – 350 anos depois...”, 2 de Dezembro de 1926 – Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa, Portugal












quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Mapa de Portugal Insular e Império Colonial Português: 1934

A Praça Leal em Moçâmedes nos anos 40



Na obra «O districto de Mossamedes» , de José Pereira do Nascimento. Typographia do jornal As Colonias Portuguezas, 1892 - 172 páginas, encontrámos a seguinte passagem que passamos a transcrever:

«...A capital do districto e cabeça do concelho, denominada a Cintra d' Africa pela amenidade do seu clima, está situada em bella prespectiva no fundo de uma ampla e bem  abrigada bahia em forma de ferradura na latitude do parallelo 15º. Possue ruas espaçosas, compridas, bem alinhadas e divididas em quarteirões simetricos, todas calçadas e illuminadas a petróleo. Nota-se n'ellas extremo aceio e limpeza, que rivalisam com a regular disposição e óptima divisão. Possue uma bella avenida arborizada que se prolonga com a praia e dá lindo aspecto ás suas casas, que se destacam por entre renques de palmeiras.

As casas são lindas construcções modernas, em que as boas condições hygienicas andam a par com o bom gosto e solidez. Quasi todas são assoalhadas e forradas com boas madeiras da Europa. São bem divididas, bem orientadas e aceadas. Os seus tectos são chatos e as frontarias, pintadas com gosto, são dispostas com arte e belleza. Quasi todas possuem jardim e quintal, que fornece excellentes hortaliças e tem uma ranma d'onde se extrae a agua para os usos ordinários. 
Existem largos e jardins públicos bem situados, com tanques d'agua para uso do publico.
Foi fundada em 1845 por um grupo de corajosos colonos que imigraram do Brazil e se estabeleceram na bahia da Angra do Negro, onde apenas havia uma feitoria iniciada em 1840.
A leste da villa encontra-se um largo gradeado, em cujo centro foi erigido por subscripção pública um monumento em honra do benemérito governador Leal, que iniciou os grandes melhoramentos que tornam Mossâmedes a mais formosa cidade europeia da costa occidental da Africa e a única que pode compelir em aceio, regularidade e hygiene com as cidades da Europa."

Na verdade desconhecemos a que largo o autor se refere, uma vez que, de um largo gradeado apenas temos notícia da existência do "Jardim da Colónia", no terreno onde na década de 1940 foi construido o Cine Teatro Moçâmedes, e mais atrás no tempo, entre 1869 e 1920, da existência da "Praça Sá da Bandeira", no terreno onde hoje fica a "Escola Pioneiro Zeca" , a anterior Escola Portugal, ou Escola n.55 de Fernando Leal. Este largo possuia ao centro um Obelisco erguido em memória do Marquês de Sá da Bandeira, que em 1836 tomou importantes medidas legislativas sobre a abolição do tráfico de escravos e a protecção do comércio entre as colónias e Lisboa.